Spaço Sol Aberto - Jogos cooperativos e Terapias Integradas

O Teatro dos Sonhos

 
 O Teatro dos Sonhos estava no Meu Sonho, desde que fiz  um Curso com Bob Patton quando esteve no Brasil a convite do III Encontro de Mitos no Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo.
  
     Bob Patton é um ex-ator do revolucionário Living Theatre e é o diretor; ele recria num porão de Nova York o teatro interativo, uma prática de interpretação para os atores e uma terapia para os espectadores.
     Ele começou a trabalhar com o sonho desde 1989, quando era ator do Living Theatre, grupo no qual permaneceu até 1993. Carregando a herança dos ideais dos anos 70, Bob Patton criou o Theatre of Dreams, o teatro dos sonhos.
 
 Naquela época 1998, o Tretre of Dreams
 A Project of outreach Theatre, Inc.
Tinha o seguinte endereço:
1219 77 th Street . Brooklyn NY 11228. (718) 680-3319
 
      O Curso com o Bob Patton foi no SESI - Consolação/SP, e foi muito bom participar desse evento, pois acalentamos esse sonho durante 08 anos e chegou o momento de colocarmos em ação, dentro do que acreditamos, dos nossos conhecimentos e o que sentimos ser uma boa técnica para o autoconhecimento.
     Fomos entrando no Teatro dos Sonhos e aprendendo a lidar com a capacidade de improvisação, pois do texto à iluminação, o que ocorria no palco era mais do que um espetáculo. Para os atores, é uma aula prática de interpretação; para o público, vale como uma sessão de terapia. Saímos das aulas totalmente renovados e com um sonho de que um dia colocaríamos o nosso “Teatro dos Sonhos” em ação.
     Estudamos muito e chegamos a algumas conclusões, tomando como referência o que aprendemos com Bob Patton, criamos a nossa própria técnica e adaptamos para a nossa realidade.  

     A metodologia adotada por nossa equipe consiste:

Benefícios:

  "Fazer teatro com os sonhos é uma oportunidade de descobrir novas metáforas, novos mitos, nova música e novas formas de ser".

Bob Patton
 
"Entrar no surrealismo do sonho de uma pessoa é uma das formas mais provocativas de penetrar em seus mistérios; fazer isso em conjunto, numa cerimônia pública, é uma experiência de imensa importância".
 Judidt Malina, co-fundadora do Living Theatre
  
Aqui está um breve Currículo para justificar o nosso encontro e mostrando como a junção dos nossos saberes fez com que juntos pudéssemos desenvolver esse trabalho, um complementando o trabalho do outro. É um exercício de autoconhecimento.
 
Francisca Veralúcia A. Jacó é Psicóloga e Psicoterapeuta junguiana; Coordena cursos utilizando técnicas corporais e dinâmicas de grupo; Especializada em Cinesiologia pelo Instituto Sedes Sapientiae; Professora do Instituto Sedes Sapientiae; Especialista em Jogos Cooperativos pelo UNIMONTE; Especialista em Psicologia Organizacional/Trabalho,CRP/SP e Estudiosa de Mitologia. 
  

A importância dos sonhos

      Segundo Carl G. Jung no seu Livro “O Homem e seus Símbolos, 1964, ”temos um compêndio de como os sonhos são necessários e fazem parte do cotidiano de todos os seres humanos, seus benefícios e a necessidade de tornar os sonhos conscientes, para o equilíbrio da psique.
 
     O homem utiliza a palavra escrita ou falada para expressar o que deseja transmitir. Sua linguagem é cheia de símbolos, mas ele também, muitas vezes, faz uso de sinais ou imagens não estritamente descritivas.
 
     Assim, uma palavra ou uma imagem é simbólica quando implica alguma coisa além do seu significado manifesto e imediato. Esta palavra ou esta imagem têm um aspecto “inconsciente” mais amplo, que nunca é precisamente definido ou de todo explicado.(Jung, 1964, p.20)
 
      Nos sonhos as imagens simbólicas se sucedem e o sonhador muitas vezes quando acorda não sabe definir o significado do seu sonho, só poderá adentrar os seus mistérios através dos símbolos e muitas vezes as imagens ou palavras que aconteceram no sonho, por terem um aspecto “inconsciente” e mais amplo, nunca é precisamente definido ou de todo explicado. Segundo Jung(1964) “Quando a mente explora um símbolo, é conduzida a idéias que estão fora do alcance da nossa razão”.
 
      Jung,(1964,p.21) continua: “ Por existirem inúmeras coisas fora do alcance da compreensão humana é que freqüentemente utilizamos termos simbólicos como representação de conceitos que não podemos definir ou compreender integralmente. Esta é uma das razões por que todas as religiões empregam uma linguagem simbólica e se exprimem através de imagens. O homem também produz símbolos, inconsciente e espontaneamente, na forma de sonhos”.
 
      Geralmente, o aspecto inconsciente de um acontecimento nos é revelado através de sonhos, onde se manifesta não como um pensamento racional, mas como uma imagem simbólica. Do ponto de vista histórico, foi o estudo dos sonhos que permitiu, inicialmente, aos psicólogos investigarem o aspecto inconsciente de ocorrências psíquicas conscientes.
 
      O que chamamos psique não pode, de modo algum, ser identificado com a nossa consciência e o seu conteúdo. (Jung, 1964, p.23)
 
      Nossa psique faz parte da natureza e o seu enigma é, igualmente, sem limites. Assim, não podemos definir nem a psique nem a natureza. Podemos, simplesmente, constatar o que acreditamos que elas sejam e descrever, da melhor maneira possível, como funcionam (Jung, 1964, p.24).
     Portanto, mesmo nos nossos dias, a unidade da consciência ainda é algo precário e que pode ser facilmente rompido. A faculdade de controlar emoções que, de certo ponto de vista, é muito vantajosa, seria, por outro lado, uma qualidade vantajosa, seria, por outro lado, uma qualidade bastante discutível já que despoja o relacionamento humano de toda a sua variedade, de colorido e de todo o calor (Jung,1964,p.25).
     É sob esta perspectiva que devemos examinar a importância dos sonhos – fantasias inconscientes, evasivas, precárias, vagas e incertas do nosso inconsciente. Para melhor explicar meu ponto de vista gostaria de contar como ele se foi desenvolvendo com o passar dos anos e como cheguei a conclusão de que os sonhos são o mais fecundo e acessível campo de exploração para quem deseje investigar a faculdade de simbolização do homem (Jung,1964,p.26).
     Sigmund Freud foi o pioneiro, o primeiro cientista a tentar explorar empiricamente o segundo plano inconsciente da consciência. Trabalhou baseado na hipótese de que os sonhos não são produtos do acaso, mas que estão associados a pensamentos e problemas conscientes (Jung, 1964, p.26).
     Freud fez a observação simples, mas profunda, de que se encorajarmos o sonhador a comentar as imagens dos seus sonhos e os pensamentos que elas lhe sugerem ele acabará por “entregar-se”, revelando o fundo inconsciente dos seus males, tanto no que diz quanto no que deixa deliberadamente de dizer.
     Freud atribui aos sonhos uma importância especial como ponto de partida para o processo da livre associação. Mas, depois de algum, comecei a sentir que esta maneira de utilizar a riqueza de fantasias que o inconsciente produz durante o nosso sono era, há um tempo, inadequada e ilusória (Jung,1964,p.27).
     No entanto, os sonhos têm uma significação própria, mesmo quando provocados por alguma perturbação emocional em que estejam também envolvidos os complexos habituais do indivíduo.
     Nesta altura ocorreu-me, no entanto, que se até ali eu estivera certo, podia-se razoavelmente deduzir que os sonhos têm uma função própria, mais especial e significativa. Muitas vezes os sonhos têm uma estrutura bem definida, com um sentido evidente indicando alguma idéia ou intenção subjacente – apesar de estas últimas não serem imediatamente inteligíveis.
    Uma história narrada pelo nosso espírito consciente tem início, meio e fim; tal não acontece com o sonho. Suas dimensões de espaço e tempo são diferentes. Para entendê-lo é necessário examiná-lo sob todos os seus aspectos (Jung, 1964, p.27).
     É fácil compreender por que quem sonha tem tendência para ignorar e até rejeitar a mensagem do seu sonho. A consciência resiste, naturalmente, a tudo que é inconsciente e desconhecido (Jung, 1964, p.31).
 

 O PASSADO E O FUTURO NO INCONSCIENTE

      Os dois pontos essenciais a respeito dos sonhos são os seguintes: em primeiro lugar, o sonho deve ser tratado como um fato a respeito do qual não se fazem suposições prévias, a não ser a de que ele tem certo sentido; em segundo lugar, é necessário aceitarmos que o sonho é uma expressão específica do inconsciente (Jung,1964,p.32).
 



Autor(a):Vera Jacó